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Lisboa em 48 horas: um roteiro de 2 dias para 2026

Quarenta e oito horas não são suficientes para Lisboa, mas são o bastante para se apaixonar por ela.

Em dois dias, você pode subir a colina até o castelo no bonde 28, comer um Pastel de Nata da padaria que guarda sua receita desde 1837 e observar o sol se pondo atrás da Torre de Belém do convés de um veleiro no estuário do Tejo. Você não verá tudo, mas verá o suficiente para saber que quer voltar.

Este guia organiza o fim de semana em torno de dois dias de fortes contrastes. O primeiro pertence ao centro histórico: as grandes praças da Baixa pela manhã e, depois, os becos medievais de Alfama ao redor do castelo à tarde. O segundo dia é dedicado à Lisboa marítima: os monumentos náuticos de Belém, de onde os grandes exploradores de Portugal partiram no século XV, e depois uma escolha entre a orla futurista do Parque das Nações e as avenidas elegantes do Príncipe Real.

Exploro Portugal desde 2001 e, nos últimos cinco anos, minha esposa portuguesa e eu fizemos do bairro da Graça o nosso lar. Este guia se baseia nesses muitos anos andando pela cidade, comendo em suas tascas e orientando amigos em visita, para ajudar você a planejar dois dias que pareçam tranquilos e fiéis à Lisboa que passei a conhecer.

Uma visão geral do itinerário de dois dias

Este itinerário percorre Lisboa um bairro de cada vez, com cada período de meio dia organizado em torno de um canto diferente da cidade. É o roteiro que indico a amigos e familiares para um primeiro fim de semana em Lisboa:

• Dia 1, manhã: Baixa. As grandes praças, arcos triunfais e bulevares para pedestres do elegante coração histórico de Lisboa.
• Dia 1, tarde: Alfama. Uma subida pelas ruelas medievais do antigo bairro mouro até as muralhas do Castelo de São Jorge.
• Dia 1, noite: Pôr do sol visto do rio em um passeio de barco pelo Tejo, passando pela Torre de Belém e sob a Ponte 25 de Abril.
• Dia 2, manhã: Belém. Os monumentos marítimos da Era dos Descobrimentos de Portugal e um pastel de nata da confeitaria original.
• Dia 2, tarde: Parque das Nações. A orla futurista do complexo da Expo 98, com sua arquitetura arrojada e o renomado Oceanário.
• Dia 2, tarde (alternativa): Príncipe Real e a Avenida da Liberdade. Uma Lisboa mais tranquila e elegante, com jardins arborizados, antiquários e a suntuosa avenida oitocentista da cidade.
• Dia 2, noite: Pôr do sol no terraço à sombra dos pinheiros do Miradouro da Graça, seguido de um jantar em um restaurante do bairro.
• Sexta ou sábado à noite: Bairro Alto e Cais do Sodré. Os distritos da vida noturna, desde bares nas ladeiras que transbordam para as ruas de paralelepípedos até as boates da Pink Street que vão até de madrugada.

O mapa interativo abaixo traça a rota completa de dois dias. O dia um está marcado em verde e o dia dois em azul. Dê zoom para ver os pontos individuais e a ordem sugerida.

Dia 1: 1) Praça do Comércio 2) Rua Augusta 3) Elevador de Santa Justa 4) Rossio 5) Praça dos Restauradores 6) Igreja de Santo António 7) Sé de Lisboa 8) Castelo de São Jorge 9) Miradouro das Portas do Sol 10) Panteão Nacional 11) Time Out Market 12) Pink Street
Dia 2: 13) Mosteiro dos Jerónimos 14) Padrão dos Descobrimentos 15) Torre de Belém 16) Pastéis de Belém 17) Museu Nacional dos Coches 18) Parque das Nações 19) Oceanário de Lisboa 20) Torre Vasco da Gama
Passeios de um dia no Dia 2: 21) Sintra 22) Cascais 23) Praia de Carcavelos

Opções alternativas para o segundo dia: Sintra ou o litoral

O segundo dia deste roteiro mantém você em Lisboa, mas não precisa ser assim. A região ao redor da cidade é uma das melhores de Portugal e as duas alternativas mais populares, na minha experiência, são um dia na serra de Sintra ou uma manhã na costa atlântica. Se você escolher qualquer uma delas, eu manteria o primeiro dia deste guia intacto e deixaria Belém para uma próxima viagem. O primeiro dia é o essencial de Lisboa. Não perca.

Um bate-volta a Sintra
Nenhuma cidade perto de Lisboa se parece com Sintra, uma serra arborizada sobre o Atlântico onde reis portugueses, magnatas ingleses e excêntricos românticos construíram suas próprias versões do paraíso.

O grande destaque é o Palácio da Pena, uma fantasia extravagante de torres amarelo-canário e ameias vermelho-sangue que coroa o pico mais alto, e é a imagem que, para começar, trouxe a maioria dos visitantes a Portugal. A Quinta da Regaleira, com seu poço iniciático que desce nove andares terra adentro, é a segunda atração mais procurada. Meu favorito é o Palácio de Monserrate, um casarão rosa de três torres a 3 km da cidade, aonde as excursões de ônibus não chegam.

Um dia no litoral
Nos meses de verão, quando o calor da cidade ultrapassa os 30 graus na hora do almoço, passar uma tarde no litoral é uma escolha popular. A costa de Lisboa se estende para o oeste da cidade por cerca de 25 km, repleta de praias de areia, e o trem que sai do Cais do Sodré chega a elas em 30 minutos.

A Praia de Carcavelos é a maior praia deste trecho, um amplo arco de areia dourada ladeado por um calçadão com cafés e escolas de surfe. É o passeio à beira-mar mais fácil de fazer a partir de Lisboa e, em um fim de semana de verão, é para lá que eu levo minhas sobrinhas.

Cascais fica na extremidade oeste da linha. Uma antiga vila de pescadores que se tornou um refúgio real na década de 1870, a cidade manteve a essência das duas coisas: um porto de pesca ativo, um pequeno bairro antigo de ruelas de paralelepípedos e uma série de enseadas protegidas.

Palácio Nacional da Pena in Sintra

O colorido Palácio Nacional da Pena é um dos palácios mais impressionantes da Europa

Cascais beach Portugal

Cascais é uma mistura encantadora de casarões imponentes do século XIX e belas praias de areia

Praia de Carcavelos beach

A Praia de Carcavelos é a maior praia do litoral de Lisboa e é servida por um trem que sai de Lisboa

A seção a seguir detalha o roteiro de 48 horas em Lisboa e oferece links para guias mais detalhados.

48 horas em Lisboa

Dia 1, manhã: as grandes praças da Baixa

A Baixa é a face elegante e formal de Lisboa e, para mim, o único lugar sensato para começar. A malha de ruas neoclássicas e praças com arcadas foi projetada nos anos seguintes ao terremoto de 1755, que arrasou a cidade medieval, e continua sendo um dos melhores exemplos de planejamento urbano iluminista da Europa. Avenidas largas. Grandes praças. Um bairro feito para ser percorrido a pé.

Eu começaria pela Praça do Comércio, a grande praça à beira-rio que se abre para o Tejo. Ela é emoldurada em três dos lados por longas arcadas amarelas e, no quarto, pela própria água; durante três séculos, foi a porta de entrada comercial do império português. Para mim, ainda parece a entrada de Lisboa.

Na extremidade norte da praça fica o Arco da Rua Augusta, um arco triunfal com um pequeno mirante no topo. A vista lá de cima abrange a praça, o rio e as ruas de compras da Baixa, e vale a pequena taxa cobrada.

Depois do arco, estende-se a própria Rua Augusta, a principal artéria de pedestres do bairro. Sim, é turística. Mas eu ainda a percorro com prazer, parando para ver os artistas de rua e sentir o cheiro de castanhas assadas que toma conta do ar de outubro em diante.

Rua Augusta

Um rápido desvio para o oeste leva você ao Elevador de Santa Justa, o elevador de ferro forjado construído em 1902 por um aluno de Gustave Eiffel. Vou poupar você da fila. A espera costuma passar de uma hora, e a mesma vista do topo pode ser alcançada de graça em dez minutos, subindo a ladeira até o Convento do Carmo e atravessando a passarela. De todos os pontos turísticos famosos de Lisboa, este é o que mais costumo dizer aos amigos em visita para pularem.

Elevador de Santa Justa

Na outra extremidade da Rua Augusta fica o Rossio, o coração social de Lisboa há quase setecentos anos. A praça é pavimentada com a famosa calçada portuguesa em preto e branco, disposta em padrões ondulados que são lindos com o tempo seco e traiçoeiros após a chuva. Entre as duas fontes barrocas, sente-se em uma mesa ao ar livre em um dos cafés do lado oeste, peça uma bica e observe a cidade passar por você. É um dos grandes prazeres de Lisboa e custa apenas o preço de um café.

Rossio

A poucos passos ao norte do Rossio fica a Praça dos Restauradores, marcada por um obelisco em homenagem aos homens que restauraram a independência portuguesa da Espanha em 1640.

Antes de você sair da Baixa, dê um pulinho no A Ginjinha, o bar minúsculo e centenário escondido em um canto do Rossio. Ele não serve nada além de ginjinha, o licor de cereja doce que Lisboa bebe desde 1840. O pedido é apenas uma dose, e vão perguntar “com ou sem elas”, ou seja, com ou sem as cerejas. Diga sempre “com”. É a única maneira de beber.

A Ginjinha

Partindo da Praça do Comércio, são quinze minutos de caminhada rumo a oeste pela Ribeira das Naus, o calçadão à beira-rio que acompanha o Tejo passando pelos antigos estaleiros navais. Esse é um dos meus passeios curtos favoritos no centro de Lisboa, com o cheiro do rio que sobe da água e o som de risadas vindo dos quiosques onde os visitantes bebem piña coladas servidas no próprio abacaxi.

A caminhada termina no Time Out Market, o mercado gastronômico instalado em um pavilhão revitalizado do século XIX no Cais do Sodré. Cerca de quarenta bancas comandadas por alguns dos melhores chefs da cidade compartilham um único e vasto salão de mesas comunitárias. É movimentado, é turístico e é ótimo para uma primeira refeição em Lisboa.

Time Out Market

Dia 1, tarde: os becos antigos de Alfama

Se a Baixa é a Lisboa formal das grandes praças, Alfama é sua gêmea mais velha e labiríntica. O bairro é séculos mais antigo que o resto da cidade. O terremoto de 1755 destruiu tudo ao redor, mas, de alguma forma, poupou esta colina, e o traçado medieval ainda está aqui para provar. Becos íngremes de paralelepípedos que dão voltas em si mesmos. Pátios escondidos atrás de passagens estreitas. Casas caiadas de branco empilhadas em camadas coloridas entre o rio e o castelo no topo da colina.

Sendo bem sincero, Alfama não exige um roteiro. Você caminha, sobe, entra no beco que parecer mais interessante e se perde. Depois de morar cinco anos em Lisboa, ainda encontro novos cantinhos por lá. Os pequenos prazeres são sempre os mesmos. O som do fado saindo de uma porta entreaberta às três da tarde. Sardinhas grelhadas soltando fumaça em um braseiro de carvão na frente de um restaurante de família. Uma senhora vendendo cerejas em uma tigela na porta de casa.

Alfama

Dito isso, há três pontos que valem a pena como âncoras da sua tarde.

A Sé de Lisboa
Ao pé da colina fica a Sé, a igreja mais antiga de Lisboa e a catedral com mais cara de fortaleza em Portugal. Ela foi construída na década de 1140, nos anos logo após Afonso Henriques ter retomado a cidade dos mouros, e foi projetada tanto para a defesa quanto para o culto. As torres com ameias e as janelas em fresta não são decorativas. Esta era uma igreja de fronteira em um território disputado.

A nave é sombria, em estilo românico, e quase totalmente livre da talha dourada e dos azulejos que você verá em todos os outros lugares de Lisboa. O claustro nos fundos abriga uma escavação arqueológica ativa, onde as camadas da Lisboa romana, visigótica e mourisca ainda estão sendo descobertas sob o piso da catedral.

Se cathedral Lisbon

A Sé de Lisboa, que se ergue imponente sobre o bairro de Alfama

Os miradouros
A subida é interrompida pelos miradouros, os mirantes no alto das colinas que Lisboa faz melhor do que qualquer outra cidade que eu conheça. Existem dois no caminho para cima, a poucos minutos de distância um do outro, e você deve parar em ambos.

O Miradouro de Santa Luzia é o primeiro que você alcança, um pequeno terraço revestido com painéis de azulejos que mostram Lisboa antes do terremoto. Uma buganvília escala o pergolado.

Um minuto adiante, subindo a colina, o Miradouro das Portas do Sol se abre para a famosa vista: os telhados avermelhados de Alfama descendo em direção ao rio, a cúpula do Panteão Nacional que se ergue sobre eles e o Tejo estendido ao fundo. Esta é a foto que trouxe você a Lisboa. É também, no meio da tarde durante o verão, o ponto mais movimentado do bairro. Venha cedo ou venha ao pôr do sol.

Miradouro de Santa Luzia

Miradouro de Santa Luzia

Castelo de São Jorge
No topo da colina fica o Castelo de São Jorge, a cidadela moura que vigia Lisboa há mil anos. Foram os mouros que o construíram. Os cristãos o conquistaram em 1147 e o mantiveram pelos oitocentos anos seguintes. As vistas das muralhas são as melhores da cidade, com vista para o oeste sobre toda a Baixa, o rio e a Ponte 25 de Abril ao longe.

Um aviso sobre as filas. Na alta temporada, a espera para entrar costuma passar de uma hora, e eu recomendo reservar um ingresso com horário marcado pela internet antes de ir, especialmente entre junho e setembro. Já lá dentro, reserve noventa minutos. As muralhas são mais largas e fáceis de percorrer do que parecem vistas de baixo, e o pequeno sítio arqueológico perto do centro vale dez minutos. Eu adoro observar os pavões passeando pelos jardins.

Castelo de São Jorge

O bonde 28
Uma nota sobre o famoso bonde amarelo. O 28 passa pelo coração de Alfama, e um passeio nele está em todas as listas de “o que fazer em Lisboa”. Eu não me daria ao trabalho. Às dez da manhã, os vagões já estão lotados de gente, você quase certamente terá que ir em pé, e o bonde dá freadas bruscas com solavancos que jogam os passageiros uns contra os outros. O trânsito ao redor do Largo das Portas do Sol fica travado na hora do almoço no verão e, ontem mesmo (no início de junho), vi um bonde cheio de turistas morrendo de calor preso ali por quase vinte minutos, enquanto eu percorri o mesmo trecho a pé em cinco.

number 28 tram

Noite: Duas perspectivas do pôr do sol

A noite oferece uma escolha. Um pôr do sol no topo de uma colina seguido de um jantar em um bairro tradicional de Lisboa, ou um pôr do sol mais tranquilo no convés de um barco no Tejo. Ambos são excelentes. Eu escolheria de acordo com o clima e o seu estado de espírito.

Opção um: pôr do sol e jantar na Graça
A Graça é onde minha esposa e eu moramos nos últimos cinco anos e, na minha sincera opinião, é um dos melhores bairros da cidade. Tem aquele clima de cidadezinha portuguesa que foi silenciosamente absorvida por Lisboa. A rua principal é uma rua comercial movimentada, com cafés, padarias e mercearias antigas. Os restaurantes cozinham para quem mora na colina, e não para quem está de passagem.

Para o pôr do sol propriamente dito, vá ao Miradouro da Graça. O terraço fica sob a copa dos pinheiros e, de um dos bancos ao longo da mureta, você pode observar o sol de fim de tarde iluminar as muralhas do castelo. Há um quiosque em uma das extremidades do terraço que vende cerveja gelada e vinho. Já passei muitas noites boas aqui.

Graça

Para o jantar, os dois restaurantes para os quais indico todos os amigos que me visitam são o Pitéu da Graça e o Sant'Avó. Ambos servem aquele tipo de cozinha portuguesa simples e direta que os restaurantes turísticos de Alfama, dez minutos ladeira abaixo, deixaram de lado há muito tempo. Se você preferir começar a noite com uma taça de vinho, o Vino Vero é o lugar para onde eu te mandaria.

Se as suas pernas ainda estiverem funcionando depois da subida vindo de Alfama, o Miradouro da Senhora do Monte fica a cinco minutos de caminhada subindo a colina. É o ponto de observação mais alto da cidade, e toda Lisboa se estende abaixo de você. Durante o dia, ele fica lotado de passeios de tuk-tuk. Após o pôr do sol, depois que o último deles desce a ladeira fazendo barulho, o terraço se esvazia e você tem uma das vistas mais belas da cidade quase só para você.

Opção dois: um cruzeiro ao pôr do sol no Tejo
Lisboa é uma cidade voltada para o mar, construída às margens do Atlântico, e depois de um dia de caminhada, há um prazer tranquilo em vê-la da água. Um cruzeiro típico ao pôr do sol dura cerca de duas horas, deslizando pela Torre de Belém e pelo Padrão dos Descobrimentos, passando por baixo da Ponte 25 de Abril e terminando sob o olhar da estátua do Cristo Rei, na margem sul.

A escolha do barco oferece de tudo, desde veleiros tradicionais portugueses até catamarãs de festa barulhentos. Um veleiro clássico é o que eu reservaria. As partidas saem de Belém, do Cais do Sodré e da Doca de Alcântara, e os barcos para grupos pequenos (doze passageiros ou menos) valem os poucos euros a mais em comparação aos maiores.

Dois conselhos práticos. Reserve com antecedência, especialmente entre maio e setembro. E leve um agasalho. O sol se põe, o ar esfria, e eu ainda caio nessa todo ano.

sunset cruise on the Tagus

Dia 2, manhã: Belém

Belém é a minha área favorita de Lisboa para fugir da sensação claustrofóbica e agitada do centro da cidade. Fica ao longo do estuário do Tejo, 4 quilômetros a oeste da Baixa, e é uma área aberta e verde encantadora.

Esta é a Lisboa dos exploradores e dos antigos navegadores, de onde Vasco da Gama partiu em 1497 para sua famosa viagem à Índia. Belém celebra essa história nos monumentos grandiosos que margeiam a água, construídos com a riqueza do comércio de especiarias que se seguiu.

É fácil chegar a Belém pegando o bonde 15, que leva 45 minutos saindo do centro. Eu pessoalmente sempre pego um Uber (6 €) para o trajeto, poupando as pernas para as caminhadas turísticas e ganhando tempo para explorar o bairro. E você vai caminhar bastante, já que tudo é muito espalhado.

O mosteiro
O monumento mais famoso de Belém é o magnífico Mosteiro dos Jerónimos. O rei Dom Manuel I iniciou a construção em 1501, financiada por um imposto sobre a pimenta e a canela que os navios portugueses traziam de suas viagens ao Extremo Oriente. O estilo arquitetônico é tão único que tem nome próprio e, claro, leva o nome do rei: manuelino. É um estilo de detalhes refinados, uma quantidade excessiva de detalhes refinados. Observe as colunas do claustro; os canteiros as esculpiram com as coisas que os exploradores traziam anotadas em seus cadernos: torções de corda, âncoras marítimas, corais, nós e as gavinhas retorcidas de plantas desconhecidas.

Para aproveitar melhor a visita ao Mosteiro dos Jerónimos, reserve um horário, pois você não vai querer ficar parado por uma hora em uma fila sem sombra. A igreja anexa tem entrada gratuita e, quando a fila ou o preço do ingresso para o mosteiro parece demais, é para lá que eu levo meus amigos.

Mosteiro dos Jerónimos Lisbon

Descendo até o rio
Saindo do mosteiro, atravesse os jardins e passe por baixo da linha do trem para chegar à beira do rio. Dois monumentos se destacam no calçadão, a cerca de dez minutos de caminhada um do outro.

O primeiro é o Padrão dos Descobrimentos. Seu formato remete à proa de uma caravela avançando sobre a água, e as figuras esculpidas em ambos os lados representam os exploradores, cartógrafos, missionários e membros da realeza da Era dos Descobrimentos, com Dom Henrique, o Navegador, à frente. Ele foi erguido em 1960 para marcar os quinhentos anos da morte de Dom Henrique.

Padrão dos Descobrimentos Lisbon

Mais a oeste pelo calçadão, você chega à Torre de Belém, e esta é a que eu diria para você não deixar de ver. Ela foi concluída em 1519, situada sobre um pequeno afloramento de basalto no rio, projetada para ser um posto alfandegário, um arco cerimonial para as frotas que retornavam e uma plataforma de artilharia, tudo ao mesmo tempo. Cordas de pedra, varandas mouriscas e pequenas torres rendilhadas nos cantos. Nas fotografias, ela parece enorme. De perto, tem o tamanho de uma casa grande, e todos os detalhes estão no exterior, então não há necessidade de entrar.

Torre de Belém

Os pastéis de nata
A maioria dos visitantes vem a Belém pelos monumentos. Eu venho pelos pastéis. A Pastéis de Belém faz seus pastéis com a mesma receita desde 1837; os doces eram originalmente vendidos no balcão de uma pequena refinaria de açúcar ao lado do mosteiro. A receita nunca foi escrita fora da cozinha.

A confeitaria parece pequena vista da rua, mas é tudo menos isso. Passe pela fila do balcão na entrada e siga pelo corredor para o interior. O prédio se abre em uma série de salas com azulejos azuis que acomodam centenas de pessoas. A espera por uma mesa costuma ser de menos de quinze minutos, mesmo nos horários de pico. Peça dois, peça canela e açúcar de confeiteiro à parte e coma enquanto a massa ainda estiver quente o suficiente para estalar. Todos os outros pastéis de nata da cidade são medidos por estes. Nenhum chega aos pés destes.

Pastéis de Belém

Dia 2, tarde: a orla moderna do Parque das Nações

A tarde leva você para a extremidade oposta da cidade, tanto em termos geográficos quanto de espírito. O Parque das Nações fica no extremo leste de Lisboa e não se parece em nada com qualquer outro lugar que você tenha visto até agora. Não há fachadas de azulejos aqui, nem becos de paralelepípedos. Em vez disso, você encontra torres de vidro, calçadões à beira-rio e esculturas públicas em grande escala.

O bairro existe por causa da Expo '98. Lisboa sediou a Exposição Mundial no aniversário de quinhentos anos da chegada de Vasco da Gama à Índia; o tema eram os oceanos, e o local (até então um emaranhado de refinarias de petróleo, pátios de contêineres e um matadouro) foi limpo e reconstruído do zero em menos de cinco anos.

Torre Vasco da Gama Lisbon

O Oceanário
A principal atração é o Oceanário de Lisboa. Em vez de uma série de tanques separados, o edifício inteiro é organizado em torno de uma enorme massa central de água salgada (cinco milhões de litros), com quatro zonas de habitat ao redor, cada uma representando um oceano diferente. Este é o melhor aquário que já visitei e minhas sobrinhas o adoram.

Oceanário de Lisboa

Pelo bairro
O aquário é o motivo para vir até aqui, mas há atrações suficientes para preencher o resto da tarde. O Teleférico de Lisboa, que percorre toda a extensão da orla, oferece dez minutos tranquilos sobre o Tejo e é a melhor forma de ver a disposição de todo o bairro. Perto dali, o Pavilhão do Conhecimento é um museu de ciências interativo e, se você estiver viajando com crianças, ele vai ocupar facilmente duas horas do seu tempo.

A linha do horizonte é marcada pela imponente Torre Vasco da Gama, em formato de vela, o edifício mais alto de Lisboa, enquanto o grande Shopping Vasco da Gama oferece uma vasta variedade de lojas e opções gastronômicas. Em uma tarde quente, quando subir as colinas do centro de Lisboa exige um esforço maior, este canto plano, arejado e com ar-condicionado da cidade é exatamente para onde eu mandaria você.

Parque das Nações Lisbon

A Torre Vasco da Gama é o edifício mais alto de Lisboa, e o teleférico percorre toda a extensão do Parque das Nações

Tarde alternativa: Avenidas elegantes e Príncipe Real
Se o estilo ultramoderno não combina com sua ideia de Lisboa, aproveite a tarde no Príncipe Real e ao longo da Avenida da Liberdade. Esta é uma área elegante do século XIX, composta por jardins, casarões e calçadas em mosaico.

Eu começaria pelo topo da Avenida da Liberdade, a avenida mais exclusiva de Lisboa. É larga, arborizada e pavimentada com a mesma calçada em preto e branco do Rossio, e os edifícios ao longo dela abrigam as lojas de grife e os grandes hotéis da cidade. Em sua extremidade norte fica a grande rotatória da Praça Marquês de Pombal, que marca a entrada do Parque Eduardo VII. Do alto dos jardins, toda a avenida se estende diante de você, seguindo em uma linha reta e formal até o Tejo.

Adjacente aos trechos superiores da avenida fica o Príncipe Real, um dos bairros residenciais mais refinados de Lisboa. Os imponentes casarões do século XIX daqui foram, em sua maioria, reconvertidos e, por trás de suas portas, você agora encontra butiques independentes, lojas conceito e antiquários. O coração do bairro é o Jardim do Príncipe Real, um jardim encantador à sombra de um cedro magnífico e frondoso. Não perca a Embaixada, um palacete neomourisco da década de 1870 que hoje abriga um labirinto de pequenas lojas de designers portugueses, com um agradável bar de gin no pátio. O passeio pelo bairro culmina no Miradouro de São Pedro de Alcântara. O terraço tem vista direta, do outro lado do vale, para o castelo e as colinas de Alfama, e é uma maneira gratificante de terminar a tarde, contemplando todos os lugares por onde você passou no primeiro dia.
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Príncipe Real Lisbon

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Noite: A Vida Noturna do Bairro Alto e do Cais do Sodré

As noites de Lisboa começam no Bairro Alto, o bairro no topo da colina a uma curta caminhada a oeste da Baixa. De dia, é um bairro residencial tranquilo, de janelas fechadas e senhoras em suas portas; mas às dez da noite, ele se transforma completamente. O bairro é uma malha de ruas estreitas de paralelepípedos repleta de bares minúsculos, e tem gente de todo tipo: estudantes com copos de plástico de cerveja, apreciadores de coquetéis e uma porta ou outra de onde escapa o fado por entre o barulho. Numa sexta ou sábado à noite, os bares são pequenos demais para comportar todo mundo, então o bairro inteiro bebe de pé na rua.

O movimento no Bairro Alto começa a diminuir por volta das 2h, quando os bares fecham e a multidão desce a ladeira em direção ao rio e ao Cais do Sodré. Vinte anos atrás, esta era a zona de prostituição dos marinheiros, e a reinvenção como o reduto da vida noturna da cidade nunca eliminou totalmente o ar decadente, o que faz parte do charme. O centro da agitação é a Rua Nova do Carvalho, pintada de rosa e hoje conhecida simplesmente como Pink Street. As boates e casas de shows daqui ficam abertas até às quatro ou cinco da manhã e, num fim de semana, a própria rua fica tão movimentada às 3h quanto a Rua Augusta ao meio-dia.

Pink Street Lisbon

Pink Street

Bairro Alto

A agitação toma conta das ruas numa sexta-feira à noite no Bairro Alto

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